segunda-feira, 16 de novembro de 2009


Não sei até que ponto
Palavras podem sair
Meus pensamentos se chocam
Como se pudessem exaurir
Todo o sentimento
Exposto ao ridículo da dor
Em forma de flor morta
Tocada pelo espinho da rosa
Que deixou toda a seiva vazar

Amanda Sotero
10/11/09

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A noite tornara-se mais clara, quando além do escuro a gente fecha os olhos para sonhar. Sonhos que quem sabe? Tornar-se-ão realidades, sonhos que cada vez mais enche meu coração de felicidade, de pensar que um dia eles estarão em minhas verdades de mentiras que não saberei quando, mas são sonhos agora, não sei, e amanhã?
Quando acordar, como vou vivê-los? Serão assim como penso? O quanto sinto-me só apenas envolvida dentro deles...
Meu deus, quanta interrogação intercalas no fim de cada um deles, quanta interrogação surge na minha mente, quanta angústia sinto quando abro os olhos e realmente está tudo escuro e eu? Perdida dentro deles, sem saber onde irão tantos momentos lindos em apenas UM SONHO. Que amargura, que pesadelo sentir um a um fugir da minha mente sem que pudesse alcançá-los, pois cada instante tornam-se mais distantes.
Existem tantos momentos que gostaríamos de vivê-los, tanta coisa que gostaríamos de fazê-las...
De que adianta uma felicidade que apenas pudemos enfeitá-la mais ainda em nossos pensamentos....

Iracema Sotero Caio Gonçalves
( Desabafo datilografado escrito ainda quando minha mãe era jovem e solteira.)

Ps: Fiquei muito mesmo encantada ao ver isso que você escreveu. Não duvido do teu potencial, e acredito que se você se esforçasse mais, estudos e leituras, voltaria a escrever coisas belíssimas com tua criatividade e teu toque especial de sentimento. Te amo, mãe. Meu orgulho. Beijoss... Ler você quando jovem, foi conseguir te ver além do que eu já via.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Há mais espaço entre o que foi e o que será. O tudo é tão incerto, quanto incerto é ser um ser. Mas ademais se o desespero nos consome, na racionalidade de pensar num subjetivo mundo travado em nossas epidermes, sentimo-nos objeto asujeitado do nosso sujeito indivisível. Porém, muita calma nesta hora. Pois como diria um filósofo amigo meu, somos representações do que gostaríamos que fossemos. Logo, temos o controle do mundo em nossas mãos. Basta apenas clicar nos botões invisíveis certos. Com isso, só nos resta a fé. Assim como os cristãos tem fé no seu senhor.

Amanda Sotero
17/09/09

terça-feira, 15 de setembro de 2009


Uma caixa amarela travada numa cápsula de um tempo morto, o sufoco, na esperança de uma brecha, um buraco negro gritante do meu existir, onde eu pudesse exaurir-me de mim.
...
Por mais quatro anos me droguei desta seiva bruta que é ser eu. Uma mescla de confusões, confissões absorvidas como esponja do mar. E por falar em mar, oceano profundo de minhas entranhas, retirei a pele que me arranha, agora sou toda epiderme aberta, num tom branco e vermelho, carne crua que vem de dentro, exposta ao ridículo da flor. Tão frágil como há muito não existia aqui. Porque, antes, enfiei o medo numa parte que ninguém conseguiria sentir. Nem mesmo este ser que vos fala.
Subi árvores, como criança nova sedenta pelo desconhecido. E me joguei de lá, inúmeras vezes. Joguei minha cara no concreto forrado com um lençol de cactos de vidros.
Não era uma armadura que existia, era simplesmente minha carne, meu ponto, meu vestido mais exuberante.
...
Agora, esta bactéria, este vírus, este fungo em morfo crescendo por minhas entranhas, esta dor corrosiva e abusiva de um ser que se permitiu ir mais além, agora, nuanças frívolas e ferrenhas agarradas ao medo da terra, medo de um buraco profundo e negro onde não há como recuar. Esse medo que vem e que volta, que chega e não me solta, que me sonda, que me invoca, que grita, que me encara com seus olhos brilhantes esbugalhados em horror, que sai dedilhando meu corpo inerte, sussurrando que me possui que me possui e que me mor talhou.

Amanda Sotero
15/09/09

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

In(superado)

In(superado)

Cair, cair...
Depois do porvir
Além do pôr
Espécie de parte
Que partiu o todo
Pedaços pela metade,
Dois palcos de sabor
doce meio amargo

Uma das partes deu um nó
No começo do particípio
Atravessado, recuado...
Sentido!

Ademais, quando tocou
Sintiu o caroço no osso
Doer como se na brita
De um chão quente
Ralasse todo o concreto
Que é semente.

Houveram partes
Partes milimetricamente divididas
Das lembranças atrevidas,
Dos tempos de vida.

Lembranças que são tumores
Tumores aprisionados
Que vão e que voltam
Como um milagre qualquer.

Amanda Sotero
13/08/09

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Fio de plástico.

Eu venho duma classe do fio de plástico,
A qual sabe do que inexiste apelo do não.
Mas não se tratará de um saber estático,
Pois tenho no bolso um graveto de ilusão.

Eis que tenho como capa, arma e escudo!
Um longo fio condutor que é de plástico,
Com que brinco, com que recrio, enxergo e... Fujo!
Neste turbilhão imaginário do espaço.

Respostas tão simples, talho-as e lanço!
Pois este fio condutor me separa o crer.
Há segredo no não dizer, engano-os!

O fio? Faz-me as verdades recolher
Ao murchar as folhas, os crisântemos,
Por medo que o outro venha me surpreender!

Amanda Sotero
04/08/09

terça-feira, 14 de julho de 2009

Aurora dos meus anos.



Escuto no escuro desta manhã tão fria
Os pássaros cantarem a minha nostalgia
Essa pequena nuvem que agora chora
Traz-me lembranças das águas marinhas

Sinto o gosto da terra molhada
Da roda que corria que corria
As ruas coloridas e ventiladas
Que meu pai me apresentava

(... que meu pai me prometia.)

Foi um grito profundo de súbito
Universo arado das minhas fontes
Que nesta manhã esperanceia e pinta
Os meus tempos loiros, de menina

Há um espaço infantil que brinca.
Troca peças e mais peças do tempo
Trazem ornamentos do que mais valia.
Faz-me ser sem preocupação se seria.

Amanda Sotero
14/07/09